| Angustia Angústia descreve a história de vida amarga de Luís da Silva, o
personagem central da obra de Graciliano. Como na maioria dos livros do autor, a secura
das palavras e dos sentimentos se mostra. Não deixa de lado também as tristezas que o
cotidiano impõe a seus personagens sempre desiludidos, desgostosos, frustados. Luís da
Silva é mais um ser cujas lembranças e fantasmas assombram sua mente.
Luís é funcionário público que trabalha na diretoria da fazenda escrevendo artigos por
encomenda. Tem pretensões literárias e faz constantes alusões à sua infância - relata
várias histórias desse tempo por todo o decorrer do livro. O pai morre e Luís da Silva
se vê obrigado a ir para a cidade onde passa fome e muito depois consegue um emprego. A
vida era consumida pelas lembranças e pelo dia-a-dia comum até que surge Marina, moça
frívola e fútil mas... bonita aos olhos de Luís, que se apaixona.
Marina gostava de luxo, admirava D. Mercedes: "uma espanhola madura da vizinhança,
amigada em segredo com uma personagem oficial que lhe entra em casa alta noite". D.
Adélia, mãe de Marina, pede a Luís que arranjasse um emprego para a filha. Marina não
se interessa por tal. Lia romances inúteis. Como ela não permitia maiores intimidades e
Luís da Silva gostava muito dela, ficaram noivos. Até que entra Julião Tavares na vida
do casal. Tavares era um homem gordo, risonho e conservador. Vivia de olhos em Marina, que
vislumbrou nele a possibilidade de ter conforto e ganhar muitos presentes.
Luís se viu um dia traído por Marina e Julião, e este nunca mais pôde sair de sua
memória porque engravidou Marina e a abandonou. Inconformado com a situação da moça,
Luís numa noite mata Julião enforcando-o com uma corda. Aí começa toda a tragédia da
história de um dos personagens mais tristes da literatura brasileira.
Construído de modo complexo, com longos monólogos, o romance Angústia é uma das mais
significativas obras de análise psicológica do Modernismo.
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