[Literatura] Biografias - João Cabral de Melo Neto
LITERATURA 
Biografias
João Cabral de Melo Neto

João Cabral de Melo Neto nasceu em Pernambuco, no Recife, em janeiro de 1920; seus antepassados foram latifundiários antigos e arraigados àquele território há pelo menos duzentos anos, donos de engenhos de cana-de-açúcar.Menino crescendo entre os lavradores simples, entre "curumbas" que andam à procura de emprego nos engenhos, cantadores e livros de cordel nas feiras ( tais livros são conhecidos como "barbantes", porque ficam dependurados em varais de barbante, à venda), João Cabral aprendeu-lhes os ritmos inumeráveis, que podem ser notados em qualquer uma das suas obras.Até os dez anos, viveu nos engenhos, era o "sinhozinho"que, já sabendo ler, ia à cidade comprar livros de cordel com os trabalhadores do eito e, na volta, acomodado a um canto do carro de bois, cercado daquela gente simples, lia em voz alta as histórias cujos ritmos ficaram marcados para sempre em sua memória. A família mudou-se de volta para o Recife e o poeta vai estudar no Colégio de Ponte d'Uchoa, uma escola marista e ali permanecerá até quinze anos, ocasião em que conclui os estudos secundários.

Nessa idade, interessa-se por futebol, jogando com a camisa cinco pelo Juvenil Santa Cruz Futebol Clube.Em 1937, inicia-se nos primeiros empregos: office-boy do pai e, depois, encarregado de apuração industrial no departamento de Estatística de Pernambuco. No ano seguinte, freqüentando o Café Lafayete, ponto de encontro da intelectualidade de Pernambuco, conhece o escritor e crítico literário Willy Lewin, o pintor Rego Monteiro, que acabavam de chegar da Europa. Aproxima-se do grupo, e faz amizade com Ledo Ivo.Em 1940, pelas mãos de Murilo Mendes, conhece, em viagem ao Rio, o poeta Carlos Drummond e muitos outros escritores que se reuniam no consultório do médico-poeta Jorge de Lima.Em 1942, aos 22 anos, lança o livro Pedra do Sono, em edição pequena ( 340 exemplares), paga pelo próprio poeta. É nesse mesmo ano que vai morar no Rio de Janeiro. A FEB ( Força Expedicionária Brasileira) o convoca, mas recusa João Cabral por motivos de saúde.

 

Em 1943, após prestar concurso, é nomeado como assistente de seleção no DASP ( Departamento Administrativo do Serviço Público; freqüenta as discussões intelectuais do Café Amarelinho e publica, na Revista do Brasil, um artigo ( Os três mal-amados), espécie de "exercício poético", sobre o poema "Quadrilha" — constante de Alguma Poesia — de Carlos Drummond de Andrade.Em 1945, João Cabral , em edição patrocinada por Augusto Frederico Schmidt, lança o livro O Engenheiro. Aprovado na carreira diplomática, toma posse no fim daquele ano.Em 1946, trabalha em vários departamentos do Itamaraty, no Rio; casa-se com Stella e nasce-lhes o primeiro filho, Rodrigo.Em 1947, o Itamaraty o envia para Barcelona, como vice-cônsul. Com o auxílio de uma impressora manual, de pequeno porte, começa a "publicar"livros de poetas espanhóis e brasileiros ( O selo criado por João Cabral se chamava "O livro inconsútil"); entre os livros que publica está o seu Psicologia da Composição. Entra em contato com pintores e poetas catalões.

Em 1948, nasce-lhe a segunda filha: Inês.Em 1949, conhece Juan Miró, pintor espanhol , e nasce-lhe o terceiro filho: Luiz.Em 1950, publica o livro O Cão sem Plumas e é transferido para o Consulado Geral de Londres, onde viverá os dois próximos anos.Em 1952 é obrigado a voltar ao Brasil responder a inquérito sobre subversão, em pleno governo de Getúlio Vargas.Em 1953 é colocado em disponibilidade pelo Itamaraty; publica o poema O Rio e trabalha na redação do Jornal A Vanguarda ; quando o inquérito sobre subversão é arquivado, parte para Pernambuco , levando junto a família.Em 1954 o poema O Rio recebe o Prêmio Anchieta, que fora instituído pela Comissão do IV Centenário de São Paulo; O Rio é publicado em edição alusiva à data. A Editora Orfeu, do Rio de Janeiro, lança Poemas Reunidos e , por decisão do Supremo Tribunal Federal, o Itamaraty reintegra-o à antiga função diplomática.Em 1955 nasceu-lhe a filha Izabel e a Academia Brasileira de Letras outorga-lhe o Prêmio Olavo Bilac.

Em 1956 é lançado, pela Livraria José Olympio Editora, o livro Duas Águas, que reúne os livros anteriormente publicados e inclui Morte e Vida Severina, Paisagens com Figuras e Uma Faca de um só gume. Segue para Barcelona, na Espanha, como cônsul-adjunto e passa a residir em Sevilha. Em 1958 é transferido para Marselha. Em 1960 é publicado em Portugal o livro Quaderna. O poeta passa a residir em Madri, nomeado para o cargo de primeiro-secretário da Embaixada brasileira naquele país.Em 1961 publica na Espanha, por conta própria, Dois Parlamentos e retorna ao Brasil para exercer a função de chefe de gabinete do ministro da Agricultura. Rubem Braga e Fernando Sabino, que então eram donos da Editora do Autor, lançam Terceira Feira, livro que reunia Quaderna e Dois Parlamentos, que ainda permaneciam inéditos em nosso país. Em 1962 vai morar de novo em Sevilha, Espanha. Em 1964 é indicado como conselheiro para a delegação do Brasil junto à ONU, passando a residir em Genebra. Nasce-lhe o filho João. Em 1966, o grupo teatral da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo monta Morte e Vida Severina, com músicas de Chico Buarque. É o sucesso definitivo da peça. O próprio João Cabral declararia mais tarde que não consegue mais distanciar os versos por ele feitos da m'suica que lhe imprimiu o compositor.

Em 1968 sai pela primeira vez um volume sobre sua obra completa: Poesias Completas. 1968 também é o ano em que o poeta é eleito, por unaminidade para a Academia Brasileira de Letras. Em 1969, ao tomar posse na Academia, é transferido para a embaixada do Paraguai. Em 1972 é transferido para o Senegal, também no cargo de embaixador. Em 1975, lança pela Editora José Olímpio Museu de Tudo . Em 1979, transferido para Quito, como embaixador. A Editora José Olympio publica A Escola das Facas. Em 1981, é nomeado embaixador brasileiro em Honduras e a José Olympio Editora lança a antologia Poesia Crítica. Em 1982 é transferido para Portugal e a Editora Nova Fronteira publica Auto do Frade, também obra teatral em versos. Em 1988 a Nova Fronteira lança a antologia chamada Poemas pernambucanos e Museu de tudo. Em 1990, aposenta-se e, em definitivo, retorna ao Brasil. Recebe o prêmio Luiz de Camões, instituído pelos governos de Portugal e Brasil e lança Sevilha Andando. Em 1994 a Editora Nova Aguilar publica sua obra completa.

A escritor morreu este ano por poblemas de saúde.

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