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| Dynélio MachadoÉ o autor , entre outros, dos romances Os
Ratos e O Louco do Cati. Gaúcho, homem de esquerda , sua obra, pouco conhecida do
grande público, vem sendo resgatada do relativo esquecimento a que foi relegada pelas
editoras e pela crítica. Felizmente , pois se trata de uma das leituras mais densas e ,
artisticamente melhor realizadas, das seqüelas que provoca o capitalismo selvagem e
sobretudo das deformações que fazem do homem de hoje uma costelação de sofrimentos,
traumas e cicatrizes, que o autor, como bom psicanalista, observa e analisa de maneira
paciente e minuciosa. Seu estilo lembra o de Graciliano Ramos, seco, direto, cortante como faca. O fio narrativo vai se desdobrando em torno dos próprios fatos, diluindo a presença do autor /narrador, num clima de aparente indiferença e uniformidade. Micro-realista ( como Machado de Assis) , detém-se nas coisas aparentemente mais insignificantes; ; atos falhos (gagueira, equívocos, esquecimento) ; gestos miúdos, esgares dos olhos, tremores de mãos , tiques , indo fraudianamente, ao fundo do inconsciente, através da observação de atos e gestos aparentemente irrelevantes. TOPO |
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