| João da Cruz
e Sousa João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro , atual Florianópolis, Santa Catarina ,
no dia 24 de fevereiro de 1861 e morreu em Estação de Sitio, Minas Gerais, em 1898.
Educado por dona Clarinda Fagundes de Sousa e seu marido, coronel, mais tarde
marechal-de-campo, Guilherme Xavier de Sousa. Passou a viver, como filho de criação, no
solar do casal. Filho de Guilherme, mestre pedreiro, escravo do marechal, que o herdou dos
pais, e de Carolina Eva da Conceição, lavadeira, escrava liberta por ocasião de seu
casamento, ambos negros puros, tendo recebido o nome do santo do dia, o grande místico
São João da Cruz e, como sobrenome, o nome da família do senhor de seu pai, como era
freqüente fazer. Batizado em 24 de março de 1862. 1865/1866 - Primeiras letras com a sua
protetora, dona Clarinda de Sousa. 1868 - Leitura, ao marechal Xavier de Sousa, dos
primeiros versos. 1869 - Entra para a escola pública do "velho"
Fagundes, irmão de dona Clarinda. Começa a recitar poesias suas, em salões, concertos e
teatrinhos. 1870 - Falecimento do marechal Xavier de Sousa. 1871 - Matricula-se no Ateneu
Provincial Catarinense. 1874 - Em julho, começa a lecionar no Ateneu o eminente
naturalista alemão Fritz Müller (1822-1897), amigo e colaborador de Darwin e Haeckel.
1875 - No fim do ano, Cruz e Sousa deixa o Ateneu, que cursou durante cinco anos,
estudando francês com João José de Rosas Ribeiro, pai do seu grande amigo Oscar Rosas;
latim, inglês e grego com o orientalista padre Leite de Almeida, reitor do Instituto;
Matemática e Ciências Naturais com Fritz Müller; inglês com Anfilóquio Nunes Pires.
"Distinguiu-se acima de todos os seus condiscípulos" (Virgilio Várzea).
1876 - Em outubro deixa o Ateneu o sábio Fritz Müller. Grandes elogios a Cruz e Sousa, e
o seu caso apresentado como reforço de suas opiniões anti-racistas. "Este preto
representa para mim mais um reforço da minha velha opinião contrária ao ponto de vista
dominante que vê no negro um ramo por toda parte (talvez sob todos os aspectos) inferior
e incapaz de desenvolvimento racional por suas próprias forças." (carta a Hermann
Müller) 1877 - Ensina particularmente, preparando especialmente professores para o
magistério público. Versos publicados nos jornais da província. 1881 - Funda, com
Virgílio Várzea e Santos Lostada, o jornalzinho literário semanal Colombo.
Primeira viagem de Cruz e Sousa, percorrendo todo o Brasil, de Norte a Sul, que durou dois
anos, acompanhando a Companhia Dramática Julieta dos Santos, como ponto. Adesão à
chamada Escola Nova, na realidade o Parnasianismo. Leituras de Baudelaire, Leconte de
Lisle, Leopardi, Guerra Junqueiro, Antero de Quental, entre outros. 1882 - Começa a
redigir a Tribuna Popular. Participa da "Guerrilha Catarinense",
violenta polêmica literária pró e contra o Realismo. 1883 - Nomeado presidente da
província o sociólogo dr. Francisco Luís da Gama Rosa. Cruz e Sousa regressa do Norte,
onde realizou conferências abolicionistas em várias capitais; aproxima-se do presidente
Gama Rosa. Publica o folheto Julieta dos Santos, escrito em colaboração com Virgílio
Várzea e Santos Lostada. 1884 - Deixando o governo, Gama Rosa nomeia Cruz e Sousa
promotor de Laguna. O ato foi impugnado pelos chefes políticos, e o poeta não tomou
posse. Novamente no Norte. Artigos enviados da Bahia, de janeiro a abril.
Homenagem, na Bahia, promovida pela Gazeta da Tarde e os clubes abolicionistas
Libertadora Baiana e Luís Gama. 1885 - Aparece Tropos e Fantasias, em
colaboração com Virgílio Várzea. Assume a direção do jornal ilustrado O Moleque,
título dado em desafio ao preconceito de cor. 1886 - Excursão ao Rio Grande do Sul. De
volta, encontro com a pianista loura da Praia de Fora, que aparece em várias de suas
poesias da época. 1887 - Trabalha na Central de Imigração. Oscar Rosas convida-o a ir
ao Rio de Janeiro. 1888 - Em breve estada no Rio de Janeiro conhece Luís Delfino, seu
muito admirado conterrâneo, B. Lopes e Nestor Vítor. Lê, transmitidas pelo dr. Gama
Rosa, obras de Edgar Allan Poe, Huysmans, Sâr Péladan, Villiers de Lisle Adam e outros.
1889 - Retorna ao Desterro em 17 de março, por não ter conseguido emprego no Rio.
Leituras de Flaubert, Maupassant, os Goncourt, Alphonse Karr, Thêophile Gautier,
Gonçalves Crespo, Cesário Verde, Teófilo Dias, Delfino, Ezequiel Freire, B. Lopes.
Duas poesias suas no Novidades, em janeiro, antes de sua volta a Santa Catarina.
Entusiasmo de Raul Pompéia ouvindo Oscar Rosas ler Asas Perdidas, de Cruz e Sousa, no
Teatro Lírico, num intervalo de Aída. 1890 - Ida definitiva para o Rio de Janeiro,
provavelmente em novembro. Colabora na revista Ilustrada, de Ângelo Agostini. Oscar Rosas
lança o movimento Norte-Sul, pela literatura sulina. Colaboração no Novidades, de que
era secretário Oscar Rosas, em 27 de dezembro. Primeiro emprego no Rio de Janeiro,
proporcionado por Emiliano Perneta. 1891 - Falecimento em agosto, no Desterro, de sua mãe
Carolina. Artigos-manifestos do Simbolismo na Folha Popular, do qual era secretário
Emiliano Perneta. Colaborava também em O Tempo. Residia na rua do Lavradio, nº
17. Vê Gavita Rosa Gonçalves, também negra, pela primeira vez, em 18 de setembro. 1892
- Colabora na Cidade do Rio, de José do Patrocínio. 1893 - Publica, antes de 28 de
fevereiro, Missal e, em 28 de agosto, Broquéis. Casa-se, em 9 de novembro,
com Gavita, em plena Revolta da Armada. Nomeado praticante de arquivista da Central do
Brasil, em dezembro. 1894 - Promovido a arquivista, com salário de 250 mil réis. Nasce,
em 22 de fevereiro, o seu primeiro filho Raul. 1895 - Recebe a visita de Alphonsus de
Guimaraens, que veio de Minas Gerais especialmente para vê-lo. Nascimento, em 22 de
fevereiro, do filho Guilherme. 1896 - Morte de "mestre" Guilherme, seu
pai, em 29 de agosto, com cerca de 90 anos. Em março, a loucura de Gavita (ver Balada
de Loucos, de Evocações e Ressurreição, de Faróis), que durou seis meses.
1897 - Pronto para o prelo, Evocações, que sairá postumamente. Residia na casa nº 48
da Rua Teixeira Pinto (hoje Cruz e Sousa, 172), no Encantado. Em 24 de julho, nasce o
terceiro filho, Rinaldo. 1898 - Morre em 19 de março, de tuberculose, em Sítio, Minas
Gerais, para onde partira três dias antes. O seu corpo chegou no dia seguinte ao Rio de
Janeiro, num carro de transporte de carne. José do Patrocínio e Nestor Vítor
encarregaram-se dos funerais. Foi enterrado no Cemitério de São Francisco Xavier.
Aparece Evocações, em edição promovida por Saturnino de Meireles. Nasce o filho
póstumo, João da Cruz e Sousa Júnior, no dia 30 de agosto. 1899 - Conferência sobre
Cruz e Sousa e o Simbolismo brasileiro no Ateneu, em Buenos Aires, do poeta e diplomata
boliviano Ricardo Jaimes Freyre, em 28 de agosto. Maeterlinck, em carta a Nestor Vítor,
manifesta interesse em lançar o poeta negro na França. O encarregado da tradução dos
textos, João Itiberê da Cunha, nunca concluiu o trabalho. Aparece Cruz e Sousa, de
Nestor Vítor. 1900 - Lançado Faróis, em coletânea organizada por Nestor Vítor. 1901 -
Morre Gavita, em 13 de setembro, de tuberculose. Dos seus filhos, dois morreram antes dela
e um imediatamente depois. João, o filho póstumo, sobreviveu. 1904 - Inauguração do
novo túmulo, encimado por busto de autoria de Maurício Jubim, em 15 de maio. 1905 -
Lançamento em Paris, em edição dirigida por Nestor Vítor, dos Últimos Sonetos.
1915 - Morre João da Cruz e Sousa, último filho do poeta, em 15 de fevereiro, de
tuberculose pulmonar, como seu pai, sua mãe e seus irmãos. Antes de morrer, ligara-se a
Francelina Maria da Conceição, que lhe deu um filho, também póstumo, de nome Sílvio
Cruz e Sousa, morrendo atropelada por um bonde dois anos depois. O único neto do poeta
foi marinheiro e residiu no subúrbio carioca de Maria da Graça, deixou grande
descendência e faleceu em 1955. 1923 - Em comemoração do 25º aniversário da morte do
poeta, aparece a primeira edição de Obras Completas, organizada por Nestor
Vítor. Erigido em Florianópolis, na atual Praça XV, um monumento a Cruz e Sousa, em 7
de abril. 1943
Destruído pelo tempo o busto de autoria de Maurício Jubim, Nereu Ramos promove a
construção do mausoléu definitivo do poeta, cuja concepção e realização ficou a
cargo do escultor Hildegardo Leão Veloso. Aparecem, no livro A poesia afro-brasileira,
os importantes Quatro estudos sobre Cruz e Sousa, de Roger Bastide. 1952 -
Publicação do Panorama do Movimento Simbolista Brasileiro, de Andrade Murici,
reunindo farto material do poeta. 1961 - Em comemoração ao centenário de nascimento, a
editora Aguilar publica Obra Completa, organizada por Andrade Murici, atualizada em 1995
por Alexei Bueno.
Principais Obras:
- Broquéis (1893)
- Missal (1893)
- Faróis (1900)
- Evocações (1898)
- Últimos Sonetos (1905)
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