[Literatura] Biografias - Ascenso Ferreira
LITERATURA
Biografias
Ascenso Ferreira

Ascenso nasceu no dia 9 de maio de 1895 em Palmares, cidade do interior de Pernambuco. Foi registrado como Aníbal, mas em 1917 muda o nome para Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira. Órfão de pai aos 7 anos, teve em sua mãe, uma professora primária abolicionista, sua primeira e maior mestra. Aos treze anos já trabalhava no comércio, na loja do seu padrinho. Lá teve contato com viajantes e suas estórias. Muito de sua infância interiorana estão em memoráveis poemas como em Minha Escola.

Foram essas "lindas histórias" que Ascenso usou para compor uma verdadeira rapsódia poética nordestina. São poemas com gosto da terra, de "Cana Caiana", de "Bumba-Meu-Boi", "Cavalhada", "Maracatu", "Mulata Sarará", "Xangó", "Xenhenhém"... Sua temática é a vida nordestina, e seus versos são de uma naturalidade que poucos alcançaram, como os de Manuel Bandeira e José Lins do Rego na prosa.
Tão natural que pula entre versos livres e metrificados, chegando até mesmo a fechar com chaves-de-ouro. Une o verso metrificado com o livre, com rima, toada e cadência própria de forma espontânea, como se "já tivesse vindo pronto"e não fossem resultados de construção poética. A "versatilidade do tom, as surpresas do humour, a poesia profunda de certos momentos da vida e da linguagem cotidianas" foi o que Ascenso aproveitou do modernismo, segundo Manuel Bandeira prefaciando um de seus livros.
Ascenso transmite uma musicalidade própria que faz seus poemas ganharem outra dimensão quando ouvidos. E chega a estar no limiar entre o verso e a música.
Mário de Andrade, escrevendo ao Diário Nacional em 1927 a respeito do lançamento do livro Catimbó, reconhecia que "só mesmo Ascenso Ferreira com este Catimbó trouxe pro modernismo uma originalidade real, um ritmo verdadeiramente novo". Em 1928 Ascenso trava um conhecimento pessoal com o autor de Paulicéia Desvairada e no ano seguinte se aproxima de vários intelectuais paulistas, como Cassiano Ricardo, Anita Malfatti, Menoti Del Picchia, Oswald de Andrade, Afonso Arinos e Tarsila do Amaral. Em 1951 grava LP com seus poemas, sendo o primeiro poeta brasileiro a gravar seus poemas em disco. Em 1955 é o 4o poeta brasileiro que tem sua voz gravada para a Biblioteca do Congresso em Washington. Morre no dia 5 de maio de 1965 no Recife.

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